quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ANO DA FRANÇA NO BRASIL

Texto publicado originalmente em 01.06.2009

O ano de 2005 foi instituído pelo governo francês como o Ano da Brasil na França, abrindo espaço para que muito do que é produzido por aqui em termos de cultura e pesquisa científica fosse exposto por lá. Em retribuição a esta iniciativa de grande sucesso, o governo brasileiro tornou 2009 o Ano da França no Brasil. Para todos os que se interessam pela música de concerto, trata-se de uma excelente oportunidade de aproximação com um repertório bastante específico e característico. A sociedade francesa produziu, ao longo de sua história, obras de grande qualidade e de grande repercussão mundial, infelizmente menos divulgadas entre nós do que aquelas ligadas a outras culturas, em especial a italiana e a alemã.

Foi durante o período da história da arte que conhecemos como barroco que se desenvolveu um estilo especificamente francês de composição. O barroco francês e o barroco italiano, cada qual com suas características, competiam intensamente pelo gosto do público em toda a Europa. Passado o tempo, à medida em que outros estilos de escrita musical foram surgindo, os franceses perderam bastante de seu espaço: num processo claramente ligado às transformações sociais e políticas por que passava o continente, houve um momento em que os compositores franceses passaram a cultuar o que estava sendo produzido em outros lugares. Somente no final do século XIX é que a situação se inverteu: nas mãos de gênios como Debussy e Ravel, surgiu o impressionismo, um estilo de composição tipicamente francês. A partir daí, a efervescência francesa não se interrompeu mais, e durante o século XX alguns dos pensadores musicais de maior influência residiam no país.

Existe um traço marcante que unifica a criação dos autores franceses ao longo de cada um destes períodos históricos: a busca pela sonoridade, pela riqueza de timbres, pela criação de atmosferas musicais marcantes. Eles nos lembram que música não é apenas a elaboração de uma boa idéia, a criação de estruturas. Música é uma experiência sensorial. Conhecer a produção deste país é uma chance, também, de mergulhar na escuta deste aspecto da criação musical, que frequentemente nos passa desapercebido. Em função disso, no próximo dia 12, a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos faz , no Adamastor, sua homenagem à França, com obras de Jacques Ibert e Claude Debussy, acompanhados do russo Rimsky-Korsakov. Você está convidado!

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