Texto publicado originalmente em 01.08.2009
Cavalleria Rusticana, a nova montagem da Orquestra de Guarulhos
As cenas estão na parte final de “O Poderoso Chefão”, de Francis Coppola: durante toda a conclusão do filme, e consequentemente de toda a saga, os personagens estão assistindo a um espetáculo de ópera. A música de intenso impacto emocional da montagem a que estes personagens acompanham extravasa, no entanto, os limites da sala de concerto e acaba por servir de ambientação para o desenlace final do enredo. A obra selecionada para isso é, justamente, a “Cavalleria Rusticana” de Pietro Mascagni, obra que vem sendo apresentada pela Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos no Theatro São Pedro, em São Paulo, e que será apresentada também no Teatro Adamastor no dia 8 de agosto. No filme, a escolha faz sentido não apenas pela dramaticidade conferida a este ponto da trama, mas também por uma questão de identidade temática: a “Cavalleria” é uma das obras mais italianas de toda a história da música.
A ópera esteve desde cedo muito ligada à identidade cultural dos países que a produzia. Em seu surgimento existiam, na Europa, dois pólos de criação cultural muito fortes, a França e a Itália. Invenção italiana, a ópera logo foi incorporada, com adaptações, à música francesa. Com o passar do tempo, o estilo de ópera dos italianos passou a fazer cada vez mais sucesso entre os franceses, o que gerou intermináveis debates entre compositores e críticos de música deste país. Durante a segunda metade do século XIX, tornou-se questão de honra para os compositores de cada centro cultural europeu produzirem obras ambientadas em seus países, faladas em sua língua natal e com referências à tradição musical de seus povos.
Nós, brasileiros, passamos a fazer parte desta história com Carlos Gomes, primeiro compositor de nossa terra a receber reconhecimento externo. Fez, certamente, muita diferença para a vida musical de nosso país o fato de uma obra como o “Guarani”, composta a partir de um romance de José de Alencar e ambientada em nossa terras tornar-se parte do repertório operístico internacional. Esperamos que a realização de espetáculos como esta “Cavalleria” por parte de um grupo estável da cidade, com reconhecimento por todo o país, contribua de maneira semelhante para o fortalecimento da identidade cultural de Guarulhos.
Acima de tudo, em sua vida e em sua obra, a atuação de Mendelssohn transparece uma fantástica leveza e alegria de viver que são extremamente inspiradores para todos nós, músicos ou não. É uma honra poder homenageá-lo: durante o mês de setembro estarei regendo um concerto em Cuiabá, com a Orquestra Sinfônica do Mato Grosso, em homenagem aos 200 anos deste mestre da música.

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