texto publicado originalmente em 04.06.2009
Campos, 40 anos
O ano era 1973. Chegava de volta ao Brasil o maestro Eleazar de Carvalho, após intensa e consagrada carreira no exterior. Eleazar havia saído do Rio de Janeiro para estudar com Sergei Koussevitsky, grande regente russo radicado nos Estados Unidos, e obteve sucesso absoluto por lá, chegando a dirigir orquestras como a Filarmônica de Berlim, até que sentiu ser o momento de retornar ao país.
Em São Paulo, neste mesmo momento, estava surgindo um modesto Festival de Concertos, sediado na cidade de Campos do Jordão. Assumindo a direção artística deste evento, Eleazar teve a ideia de transformá-lo em um similar do festival americano de Tanglewood, organizado por seu professor: aos concertos, foram acrescentadas aulas e masterclasses, destinadas a um grupo de estudantes que se instalava na cidade para um mês de dedicação intensa. Surgia, então, o Festival de Inverno de Campos do Jordão, um dos mais importantes focos de formação musical erudita de nosso país.
De lá para cá, muita coisa mudou: foram construídos um teatro para os concertos e alojamentos para os estudantes. Com o sucesso da iniciativa ali desenvolvida, vieram a surgir muitos outros fetivais de férias no Brasil, cada qual com sua dinâmica e proposta pedagógica específica. Campos do Jordão tornou-se a grande atração das férias de inverno em nosso estado, recebendo milhares de turistas, muitos completamente alheios à atividade musical ali realizada, mas o Festival pouco contribuiu para a transformação da qualidade de vida dos habitantes da cidade, marcada por grande carência de recursos.
Considerados os primeiros anos, dedicados apenas a concertos, o Festival celebra em 2009 seu 40o Aniversário. Seu papel na formação de várias gerações de artistas brasileiros é indicutível. Exemplo disso? O atual diretor artístico do evento, maestro Roberto Minczuk, foi bolsista em Campos. Este que vos escreve também o foi, por quarto anos seguidos.
Para os que convivem com a produção deste mega evento, uma série de desafios se apresentam: não perder de vista a tradição ligada ao projeto, manter e ampliar seu potencial pedagógico, contribuir para o crescimento financeiro e social da cidade que o abriga. Para quem aprecia a música de concerto, trata-se de um mês inteiro de excelentes oportunidades para uma viagem à Serra da Mantiqueira.

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