quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Orquestra do Estado do Mato Grosso: orgulho para todos nós

Texto publicado originalmente em 26.10.2009

A Orquestra do Estado do Mato Grosso: orgulho para todos nós

Uma orquestra é um organismo sensível. A junção de cerca de quinze tipos diferentes de instrumentos é algo que foi sendo elaborado gradativamente ao longo dos anos. Imagine: cada instrumento tem um tempo de resposta, um determinado volume. Além disso, na música escrita para esta formação, qualquer desequilíbrio é imediatamente percebido. Em nenhuma outra atividade de meu conhecimento tantas pessoas trabalham juntas simultaneamente, com o desempenho de cada uma interferindo diretamente no desempenho de todas as outras. Tudo depende de um delicado entrosamento, a marca registrada dos melhores conjuntos do gênero.

Não por acaso, a presença de uma orquestra sinfônica estável é sinal de maturidade cultural para qualquer cidade ou estado ao redor do planeta. Ao redor de uma orquestra de nível, acabam se reunindo compositores, editoras, escolas de música, além do ingrediente essencial e fundamental para que tudo isso faça sentido, que é o público. Pudemos presenciar recentemente esta transformação na cidade de São Paulo, a partir da reformulação da OSESP, em um processo ainda em andamento. Infelizmente, em muitas cidades da Europa, temos assistido ao processo de extinção de agrupamentos sinfônicos, com conseqüências terríveis para a atividade musical em todo o mundo.

Nós, brasileiros, embora dispondo de muito menos tradição cultural e enfrentando carências de diversas naturezas, dispomos também de notória criatividade e iniciativa para o enfrentamento dos problemas à nossa volta. Com a criação e manutenção de uma orquestra não é diferente. Existem, espalhadas pelo nosso país, diversas iniciativas de valor, que deveriam servir de exemplo para músicos de qualquer parte do globo. Uma delas, talvez a mais notável dos últimos tempos, é a criação da Orquestra do Estado do. Mato Grosso, com quem tive a honra de trabalhar nesta última semana. Criado em um estado ainda sem nenhuma tradição na área, o grupo vem atuando de forma consistente, formando platéia, oferecendo uma temporada anual consistente. Apenas para que se tenha uma noção, no ano de 2008 o grupo realizou 152 concertos, para aproximadamente 200.000 pessoas, em 95 cidades. Com qualidade. Qual o segredo? Não partir de uma fórmula preconcebida e acreditar que é possível. É motivo de muita satisfação que um projeto como este venha se mostrando viável, algo que nos motiva a seguir em frente.

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