Texto publicado originalmente em 29.08.2009
Felix Mendelssohn, 200 anos de nascimento
Qualquer um que tenha, em algum momento, tido contato com a biografia dos mais famosos compositores deve estar familiarizado com relatos de grandes dramas pessoais, amores não correspondidos, gênios não reconhecidos, sofrimento e provação. A partir do que se encontra a este respeito na literatura, pode surgir a impressão de que, sem uma história de vida dramática e tumultuada, ninguém é capaz de criar música. Olhando de perto, no entanto, é possível perceber o quanto é fantasiosa esta maneira de descrever os fatos. A grande maioria dos compositores enfrentou, durante suas vidas, os mesmos tipos de problemas e dificuldades que enfrentamos em nosso dia a dia. Longe de diminuir a relevância de sua produção, a noção de que pessoas de carne e osso criaram obras imortais capazes de nos sensibilizar passados mais de duzentos anos só ressalta o poder criativo de cada um destes artistas. A vida de Felix. Mendelssohn, mestre do romantismo alemão nascido há exatos 200 anos, é um exemplo marcante disso.
Ao contrário de vários outros compositores, Mendelssohn não passou por grandes períodos de provação, tendo disfrutado de condição financeira estável e segura ao longo de toda a sua vida. Teve, desde pequeno, contato com a mais refinada cultura européia do período, pôde contar com uma orquestra à sua disposição para o exercício de seus primeiros passos na composição, e encontrou boa acolhida para seus trabalhos desde o primeiro instante. Diante de tais condições, seria de se esperar o desenvolvimento de uma personalidade artística acomodada e displicente, mas o que se viu foi o surgimento de um criador de peso, responsável por obras que combinam equilíbrio de proporções, orquestração habilidosa e sonoridade refinada, que foi, além disso, responsável diretamente pela redescoberta da obra de Johann Sebastian Bach, gênio do barroco alemão, além de poder ser considerado o primeiro grande regente da história da música.

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